Carta I – O que é do homem
R*,
Odeio cartas. Imagino que você ainda não saiba disso pois somos amigos há pouco tempo. Contudo, sei que você mente pra si mesmo acreditando que não suspeito de sua homosexualidade. Desculpe, mas ela não é como o Iphone que você (ainda) não tem; e que pragueja dizendo “Que coisa mais pau no cu”, “Isso é um cu” e etc.
Se eu fosse um cara que lê as entrelinhas, tiraria algum simbolismo da cartola pra comprovar que, no final das contas, essa coisa toda em torno do (seu? ) “cu” é desejo de ser enrabado, mas fica tranquilo, porque a sodomia entrou na vida do homem ocidental (até aqui no Terceiro Mundo) pela mesma porta do adoçante e do café descafeinado. Então pras picas com as entrelinhas.
Fiquei chateado pela desfeita que você fez quando mencionei arrumar um companheiro pra Xaninha — mesmo com a sua justificativa de “estar educando seu pet para ter uma sexualidade mais abrangente”. No fundo acho que você se emputeceu comigo por eu não ter demonstrado o mesmo entusiasmo habitual (de quando compro os ingressos pro Fogão no Engenhão) naquele dia em que você me mostrou o ingresso (VIP) pro show da Madonna.
Enfim, quero fazer as pazes contigo. Não ligo para nada disso se você não ligar quando eu disparar, vez ou outra, pra você parar de viadagem, ou algum de meus bordões (“Buceta tudo cura” ou “Foi-se o tempo onde por uma cara feia se perdia uma boa totonha” e por aí vai). Mais uma vez, me desculpa — é automático. Na época que meu caráter estava sendo construído, politicamente correto era ser homofóbico.
Fred
No comments yet
Jump to comment form | comments rss [?] | trackback uri [?]